Cotações...metais preciosos a subir...Dólar a descer...

Publicado a 05/04/2010, 07:58 por Web Admin   [ atualizado a 16/04/2010, 14:58 ]
Cotações dos metais preciosos continuam a subir acompanhando as desvalorizações do dólar
Prata está a valer muito mais e há quem compre para investir
 
Só no ano passado, a prata valorizou quase 50% nas bolsas de mercadorias. Um aumento nos custos de produção das ourivesarias que só não levou à diminuição da procura nas peças maiores, com um sentido de investimento por parte dos compradores.

É numa chama tão potente que exemplifica o que seria o inferno cristão que é derretida a prata que, a mais de mil graus celsius, é depois vertidas nos moldes que o homem montou para produzir desde utensílios domésticos até autênticas obras de arte. Não há nada de romântico no trabalho de uma oficina como a que Manuel Alcino, de 77 anos, herdou do bisavô homónimo, que a fundou em 1902. Por isso, dos 80 funcionários que empregava, há 30 anos, restam agora apenas dezena e meia.

"No Natal, a árvore de Xangai foi ornamentada com 50 peças de filigrana produzidas aqui. Foi um sucesso. Por isso, no dia dos Namorados queriam 50 mil peças. Tive de recusar a encomenda: onde é que tinha capacidade de produção para tanto?", questiona Manuel Alcino, ourives e também presidente da Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AIORN).

Sempre a subir

A aposta nos países asiáticos é uma das estratégias de sobrevivência do sector, hoje em dificuldades devido a um conjunto de factores, que Manuel Alcino resume à "globalização". É certo que o custo da matéria-prima aumentou muito: "De 2007 até hoje, a prata duplicou de preço".

"Por um lado, há mais ourives a fugir ao elevado preço do ouro e a trabalhar a prata. Por outro, há cada vez mais utilizações industriais da prata. Mas, apesar de as minas terem todas mais de 100 anos, não falta prata no Mundo", analisa Manuel Alcino. O que é certo é que há cada vez mais quem, por gosto ou por intuição, investe em "peças grandes, simultaneamente valiosas e decorativas", que, pelo peso, são menos "práticas para os gatunos transportarem".

A prata antiga tem tido uma procura acrescida. Mais manuseada, conquistou um brilho eterno e atinge preços fabulosos nas ourivesarias, como a Pratil, no Porto. "Há pouca procura de objectos pequenos. Preferem-se serviços, candelabros, estatuetas, pois são um melhor investimento", explica o proprietário, João Carmindo. Apesar de tudo, o "negócio está fraco, porque os portugueses não têm dinheiro e os turistas endinheirados não vêm para o Porto".

"A melhor prova disso é o encerramento das ourivesarias de marca aqui na cidade. Fechou tudo", repara.

Também Rui Montenegro, proprietário de uma ourivesaria na Baixa do Porto, reclama da crise e diz que "é na prata antiga que se faz algum" dinheiro, pois o ouro está demasiado caro e nem a Páscoa salvou as vendas. "Há dois anos, vendia libras de ouro a 90€, era acessível para um padrinho oferecer a um afilhado. Agora, a mais barata ronda os 200€".

A AORN reclama, agora, uma reformulação da lei das contrastarias que permita "inovar e concorrer com os chineses", abrindo o comércio a estilistas conceituados, por exemplo, dando força de negociação e projecção à ourivesaria lusitana. Na Ásia, não há lei que proíba "misturar prata com titânio" (mais barato, semelhante à prata); que impeça o pagamento de "ordenados dos melhores ourives entre os 35€ e os 70€"; e, para cúmulo, não há "entraves aduaneiros" aos produtos assim produzidos que entram na Europa. Em iguais circunstâncias, talvez o futuro português seja risonho.

Fonte: Jornal de Notícias (em 4 de Abril de 2010) – Por Erika Nunes
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1535433