FMI alerta para que a crise não terminou

Publicado a 05/04/2010, 08:15 por Web Admin   [ atualizado a 06/04/2010, 07:40 ]
Retirar estímulos demasiado cedo pode ser "tiro no pé”
 
“O crescimento está a recuperar em quase toda a parte, mas estes números do crescimento estão mais relacionados com o apoio e a sustentação das ajudas públicas do que com a procura privada” afirmou o responsável do FMI, num evento realizado na capital da Jordânia.

“Até que a procura privada seja suficientemente forte e sustentável para que a economia cresça, será difícil dizer se a crise terminou”, acrescentou.

Segundo Strauss-Kahn, a Ásia tem liderado a recuperação económica mundial, na sequência da maior crise registada desde a II Grande Guerra Mundial, alertando para o facto de os bancos centrais da região estarem a retirar parte das medidas de emergência lançadas para contrariar o “abrandamento económico”.

Os políticos da China, Índia, Vietname e Israel restringiram as condições monetárias, depois de observarem sinais de que o crescimento está a alimentar a inflação e a aumentar o risco de bolhas especulativas.

Previsão de crescimento mundial revista em alta

O FMI reviu a estimativa de crescimento da economia mundial para 4,1 por cento este ano, o que compara com uma previsão de crescimento de 3,9 por cento avançada em Janeiro.

Esta notícia foi divulgada pela agência noticiosa italiana Ansa, que cita um esboço do relatório económico do FMI, que será divulgado, o mais tardar, por volta do final deste mês, e que foi avançada domingo pela Bloomberg.

Questionado sobre se o FMI vai rever em alta as estimativas para o crescimento económico mundial, Strauss-Kahn disse que as dificuldades “não foram ultrapassadas”.

“Há uma recuperação clara, que acontece mais cedo do que o previsto, mas que também é uma ameaça”, salientou.

“Essa ameaça deve-se à possibilidade de alguns governos se sentirem estimulados a retirar os seus pacotes de estímulos à actividade económica”, justificou Strauss-Kahn.
 
Fonte: Público (em 5 de Abril de 2010) – Por LUSA